Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficção. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Opostos também se completam





Seus amigos não queriam, seus pais não aceitavam; todos eram contra. Diziam que eram diferentes demais, que nunca dariam certo, que pensavam muito diferente: Como alguém que adorava verão poderia namorar alguém que preferia inverno? Como alguém teimoso poderia conviver com alguém irritante? Algo que ninguém entendia podia ser explicado de forma simples e precisa: O amor, o amor que sentiam um pelo outro era capaz de acabar com a diferença entre eles. O amor criava uma ponte invisível aos olhos, que unia o coração dele diretamente ao dela. Sem precisar de explicações. E assim, aos trancos e barrancos, eles se entendiam, e se completavam.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Antes a chuva, depois o arco-íris. Essa é a ordem



Você estava naquela festa, sentindo-se totalmente deslocada, com um copo de whisky na mão, tentando lembrar-se do que a havia feito ir àquele lugar desprezível. Claro, sua amiga – que agora estava dançando – fez questão de que você fosse, e você, como não sabe dizer não, acabou cedendo. Queria ir embora; levantou, mas, quando ia sair, uma mão quente pegou seu braço e te obrigou a sentar novamente.
Ele apresentou-se, depois puxou assunto. E o que tinha tudo para ser uma noite péssima, tornou-se agradável e até divertida. As horas passaram-se depressa, e quando você ia embora, ele pediu seu número do celular. Você passou.
Ele te ligou no dia seguinte, e no outro, e no outro. Cada vez mais interessado na sua vida, nos seus gostos, nas suas manias, na sua personalidade. Ele te fez rir quando você estava triste, e falou com você até conseguir dormir nos dias de insônia. Ele te ligou às duas da manhã para te contar sobre a noite super estranha que ele havia tido e a falta que você fazia.
Então um dia ele te convidou para sair, e seu coração acelerou. Como assim? Da onde havia saído aquela reação? Porque suas mãos tremiam? Porque você estava roendo as unhas? É, tarde demais. Você estava apaixonada. Não sabia como nem quando havia acontecido isso, mas não sentia vontade de parar. Entregou-se.
E então, quando você estava completamente dependente daquele sentimento, ele sumiu. As ligações não existiam mais; as conversas tornaram-se escassas; os encontros, raros. Você havia sido deixada sem aviso prévio.
Choros descontrolados, insônia, culpa, medo, solidão, nostalgia. Você não sentia mais vontade de fazer nada, queria apenas ele. Até lembrar-se das brigas se tornou algo agradável. Maquiagem pra que? Quem precisa estar bonita? Você saía e todos à sua volta pareciam ser ele. Mas não eram, aliás, ele não estava em lugar algum. Porque ele não voltaria.
E então, num dia quente de verão, alguns meses depois, você acordou e sentiu vontade de viver. Maquiou-se e até gostou do que o espelho refletia. Ligou para algumas amigas e saiu, conseguiu divertir-se. Depois, estudou. Valia tudo para não ter tempo de pensar nele. Era você aprendendo a lidar com o buraco que ele havia deixado.
Com o tempo, você não precisava mais inventar coisas pra fazer para ocupar sua mente, porque ele deixou de habitar seus pensamentos naturalmente, e agora, lembrar-se dele te fazia sorrir, e não chorar. Você passou a ter marcas aonde antes haviam feridas. Você começou a se apaixonar por você mesma, e a se preocupar com sua própria felicidade antes de qualquer coisa.
E num dia, desses que você acorda de bom humor, ele te ligou. Quis conversar. Quis te ver. E você percebeu que ele havia lhe proporcionado o amor mais intenso, e também a pior dor. Vocês não haviam colocado um ponto final, e talvez fosse por isso que você quis dizer que sim, ia se encontrar com ele. Mas não disse. Você ignorou seu coração – que queria manifestar-se – e negou. “Não, não vou encontrar-me com você, porque você não pensou duas vezes ao me deixar, e eu te amava. Você sabe o que é isso? Ah, claro que não sabe. Você não ama nem você mesmo. Esqueça, procure outra garota para iludir. Com meu coração você não brinca mais.” E desligou. 
Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece, e você nunca ia esquecê-lo. Ele ia permanecer com você pelo resto de sua vida, e não havia solução. Seria apenas você com você mesma, sempre. Independente de quem estaria ao seu lado futuramente. Porque agora você não depositava mais sua felicidade em outra pessoa. Você mesma era capaz de completar-se. Às vezes vale a pena enfrentar uma tempestade, se depois vier o arco-íris.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Pequena palavra, Grande sofrimento



O abracei com mais força, e uma lágrima quente escorreu silenciosamente por meu rosto, pingando em sua camisa. Era uma parte de mim que ia com ele, e seria difícil viver somente com a metade.
Não queria ouvi-lo dizer a palavra que nos afastaria. Não queria dizer adeus.  Mas eu precisava deixá-lo partir. Às vezes é mais difícil ir embora que ser deixada, e eu precisava entender isso. Embora não quisesse. Embora doesse.
          Foi ele quem se afastou do abraço. Olhou em meus olhos pela última vez, e também foi ele quem disse Adeus. Enquanto eu sentia uma nova onda de lágrimas surgindo, enquanto um nó formava-se em minha garganta, enquanto eu sentia um leve roçar em meus lábios. Enquanto eu o via se afastar, e depois sumir no horizonte.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O lado que fica



           Obrigava-me a ficar calmo enquanto a avistava ao longe. Ela estava linda, como sempre, mas, enquanto se aproximava percebi que algo havia mudado. Seus olhos tentavam evitar os meus; Sua boca estava ligeiramente fechada, mas mordia o lábio inferior, e suas mãos estavam tremendo levemente.
            A abracei. Eu a conhecia o suficiente para perceber que meu toque não causou arrepios em sua pele e seu coração tampouco acelerou. Afastei-me. Foi quando ela disse:
             - Tenho tentado, com sucesso, fingir que nada estava acontecendo. Mas como dizem, chega uma hora que precisamos tirar as máscaras e mostrar o que sentimos realmente, sem omitir nem inventar nada. Apenas sermos sinceros e honestos conosco e com as pessoas ao nosso redor. Há tempos que seu abraço não me faz sentir segura, que sua voz não soa como música em meus ouvidos, que seu toque não causa arrepios em todo meu corpo, que seu beijo não me desperta desejo, e nem sua presença acelera meu coração. E eu, como te amava – ou estava apenas acostumada a dizer que te amava, não sei – resolvi ocultar e fingir entusiasmo, fingir preocupação e fingir sentimento. Você ainda é muito importante pra mim, apenas não mais do mesmo jeito. E é exatamente por isso que eu não posso mais continuar te enganando. Desculpe.
                  Deu um beijo em meu rosto e foi embora, deixando-me ali, parado, estupefato e com lágrimas nos olhos. “eu te amo”, sussurrei para o vento.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O amor e suas surpresas



         Ele estava a apenas alguns metros de mim, e eu o observava com cautela para que não fosse percebida. Podia quase sentir seu cheiro, mas ainda assim, ele estava distante. Distante demais para que eu pudesse alcançá-lo, distante demais para que eu sequer falasse alguma coisa.
             Tentava lembrar-me quando foi que as coisas ficaram tão frias, mas não conseguia. Tudo mudou de forma rápida, sem que nós nos déssemos conta. Viramos amigos, ou apenas meros conhecidos.
           Senti vontade de voltar atrás, de ver em que ponto exatamente nós nos separamos. Porque somos assim, precisamos estar diante de uma situação desconfortável para então, analisarmos os fatos com o devido cuidado. Para então, descobrir que não somos indiferentes àquela pessoa. Descobrir que há algum sentimento. E o famoso vazio começa a habitar nosso corpo.
         Continuava encarando-o, estática, quando ele virou-se, percebeu minha presença e encontrou meu olhar. Sorriu e, lentamente, aproximou-se.
         Só parou quando ficou a centímetros de mim. Pegou minha mão e a levou até seu peito. Senti seu coração, tão acelerado contra minha mão. E, como num gesto involuntário, minha outra mão pousou em meu peito. Nossos corações estavam em sintonia.
         – Veja – ele disse – é isto que você causa em mim!
       Sorrindo, dei um beijo leve em seus lábios e de repente, tudo fez sentido. Nós havíamos nos afastado para que o destino nos unisse novamente no momento certo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Onde está a sua felicidade?



        Era apenas mais uma manhã límpida, e eu estava novamente sem ter o que fazer. 
       Há anos meu único desejo é poder descer desta torre, fugir deste castelo, mas não posso, apenas vejo os dias passarem através desta pequena janela e desta imensa altura, que me afastam do restante do mundo. Foi decretado por meu pai quando era pequena que moraria neste quartinho com apenas uma cama, até que um príncipe, corajoso suficiente e que esteja disposto a derramar seu próprio sangue apenas para me libertar, ter-me em seus braços, suba até aqui, me liberte e assim, esteja livre para viver comigo pelo resto de sua vida.
          Depois que vi o terceiro desistir na metade e ir embora, simplesmente comecei a desacreditar no amor, e aprendi a apenas ver a vida passar. Para mim era muito mais fácil imaginar o amor e ler sobre ele do que senti-lo. Conhecia pouco sobre o assunto, mas o pouco que conhecia me alertava para fugir dele com todas as minhas forças.
        As criadas de meu pai já me falaram que não posso ter medo de viver.  Que devo fazer de meus sonhos, metas, e ir à busca deles.  Mas às vezes, quando você tem um grande sonho, você também tem um pouco de medo de vê-lo realizado. E se não for tudo que eu imaginei? E se depois eu descobrir que não era exatamente isso que eu queria? Mas confesso, hoje acordei com ânsia de viver, ânsia de sentir meus pés na grama fresca, de correr, de sentir o sol queimar minha pele. De sentir-me livre, finalmente, para poder criar minha própria história, e não mais viver na sombra da história de meu pai.
         Era isto. Eu iria fugir. Eu iria provar desta liberdade. E se depois não for o que eu imaginava? Bom, pelo menos saberei como é. Não precisarei mais dormir à noite e imaginar, porque eu estarei vivendo meu sonho. 
         Estava tudo pronto, não iria levar nada. Apenas algum dinheiro. Ouço batidas na porta. Era a criada. Abri para ela e, enquanto ela entrava, saí correndo, descendo vários lances de escadas, e depois, finalmente, parando em frente a uma porta. Pensei novamente se era isto mesmo que eu queria. Era. Abri a porta, e senti, pela primeira vez, o sol ofuscando meus olhos.
        E enquanto eu corria, percebi, que não importava quantos príncipes tentariam escalar aquela torre, a única pessoa capaz de me fazer feliz, naquele momento, estava correndo de pés descalços floresta adentro.

domingo, 10 de julho de 2011

Quando a realidade se torna um pesadelo


          Acordou assustada. Olhou a sua volta, nada havia mudado. Tremia e seu coração estava acelerado, tinha tido mais um de seus pesadelos horríveis. Se relatasse a alguém, essa pessoa certamente não sentiria tanto medo, pelo contrário, poderia até rir e achar totalmente banal.
         Sonhara com o nada. Ela, a floresta, uma trilha e o desespero de se ver perdida. Olhava para frente sem enxergar direito, mas via um vulto. Um vulto que se aproximava lentamente, tomando a forma de um homem. Mas não era um homem qualquer, era ele, a única pessoa que ela desejaria ver naquele momento.
        De repente o medo se transformou em alívio, e sentindo-se completamente feliz, correu ao seu encontro e o abraçou. Disse que havia sentido sua falta e que o amava com todas as suas forças. Quando percebeu que ele não estava retribuindo seu abraço e sua expressão era de total frieza, seus olhos que muitas vezes brilharam ao lhe ver estavam indiferentes.
       Como se ela tivesse encontrado a última peça de um quebra-cabeça, ela entendeu. Aquilo fora um adeus, nada mais fazia sentido para ele. Agora ela fazia parte do passado, uma peça insignificante. Não havia mais amor.
       Sentiu um torpor, como se o chão tivesse se partido em dois e ela estivesse caindo no buraco que separava os dois lados. Queria correr, livrar-se do aperto em seu peito e fugir. Pra qualquer lugar. Esquecer dele e dos momentos ao seu lado. Mas não era possível apagar o que passou.
       Voltou à realidade, mas não completamente. O lugar em sua cama continuava vazio. Ele de fato não estava mais ali. Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto e a sensação de abandono tomava conta de seu ser. Tentando esquecer aquilo tudo, ela fechou os olhos inundados de lágrimas, virou de lado em sua cama e mergulhou novamente no desconhecido.