sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Opostos também se completam





Seus amigos não queriam, seus pais não aceitavam; todos eram contra. Diziam que eram diferentes demais, que nunca dariam certo, que pensavam muito diferente: Como alguém que adorava verão poderia namorar alguém que preferia inverno? Como alguém teimoso poderia conviver com alguém irritante? Algo que ninguém entendia podia ser explicado de forma simples e precisa: O amor, o amor que sentiam um pelo outro era capaz de acabar com a diferença entre eles. O amor criava uma ponte invisível aos olhos, que unia o coração dele diretamente ao dela. Sem precisar de explicações. E assim, aos trancos e barrancos, eles se entendiam, e se completavam.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Em busca da paz interior



Sabe quando você acorda com um peso absurdo sobre você? Quando é tão pesado, que parece que o mundo desabou enquanto você dormia? E esse mundo desabado impede que você abra os olhos e tenha vontade de encarar este novo dia? Que você sente um aperto no coração, como se alguma mão imaginária o estivesse comprimindo? E você tenta se livrar disto, mas é muito mais forte que você. Até que você encontra forças, não sabe aonde, para abrir os olhos. E vê que faz sol. Mas não é um sol comum, é um sol que entra em cada poro do seu corpo, inclusive em sua alma, e você consegue levantar, mas o peso ainda está aí, não se engane.
Então. É exatamente por isso que vim parar aqui. Em cima desta montanha, observando uma pequena cachoeira, que faz contraste com o azul do céu e com o verde das árvores. Caminhei até aqui com a convicção de que este peso diminuiria, e se tivesse sorte, até sumiria.
Olho para o horizonte, e me pergunto, que segredos este mundo - tão grande e tão pequeno – esconde. Olho para os pássaros, e desejo ser livre como eles. Poder voar, e observar tudo em silêncio. A calmaria das águas, a sensação do vento batendo forte contra o rosto, não sentir o chão sob meus pés, e mesmo assim, não sentir medo. Apenas paz. Uma paz absurda. Como deve ser?
Então, olho para a cachoeira. Sua água agitada, como se quisesse dizer alguma coisa. Escuto o barulho, e sinto a leveza e a paz daquele pássaro. Viajo para meu passado, lembrando das pessoas que marcaram minha vida, e faço uma retrospectiva. Depois, viajo ao futuro, vejo meus sonhos realizados. Estou voando. Voando para dentro de mim mesma.
Sinto a brisa leve bater em meu rosto, e pela primeira vez, estou sentindo de verdade. Não estou em meio a uma cidade grande, correndo apressada para não perder o ônibus, com o vento bagunçando meu cabelo. Não. Aquela brisa estava me mostrando que somos sensíveis e frágeis. Que perdemos muito tempo da nossa vida tentando sentir tudo, e não sentindo nada. E aprendo que não há nada melhor do que sentar no alto de uma montanha e observar a natureza. Entrar em contato com ela. Sentir meus pés na grama molhada, a brisa acariciando meu rosto e escutar o barulho das águas. E sentir-me leve.
Você lembra-se daquele peso? Ele sumiu. Porque eu aprendi a suavizá-lo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Talvez o certo, não seja perfeito



- É só você que eu quero, entendeu? – Ele disse, olhando fixamente para meus olhos que se enchiam de lágrimas.
- Mas e ela? Eu sei que tem outra, você não perde tempo; nunca perdeu. Talvez ela seja muito melhor pra você do que...  – Não pude terminar, pois naquele momento, ele deu um meio sorriso e colocou o dedo indicador sob meus lábios, num pedido de silêncio.
- Xiiiu, garota boba. Sempre tirando conclusões precipitadas... Ela é bonita, divertida, mas nunca será você. Você, com essa mania de me contrariar, esse jeito ousado, mas sensível de encarar o mundo. Você, com todos os defeitos e com todas as manias me conquistou. É você que eu quero. Sei que não acredita no amor, mas, fiquemos em silêncio. – Ele parou de falar por algum tempo, depois exibiu seus dentes levemente desalinhados e perfeitamente brancos, num grande sorriso. E disse:
 – Você consegue escutar seu coração batendo aceleradamente contra seu peito? – Fiz que sim com a cabeça. – É, eu também. E isto basta, não é? Sempre dissemo-nos que enquanto tivéssemos isto, seria suficiente. Eu te pergunto, ainda é? Sei que você me ama, por mais que negue. Seus olhos dizem o que sua boca não consegue dizer. – Ele pegou em minha mão. – Enquanto estivermos ligados um ao outro de alguma maneira, enquanto você invadir meus pensamentos à noite, provocar meu ciúme, minha ira; enquanto eu habitar seu coração, estaremos amando. Sempre estarei com você, seja fisicamente ou em suas melhores lembranças, assim como você sempre estará comigo. E enquanto tivermos isso, teremos tudo!
Outra lágrima escorreu por meu rosto, mas desta vez era de felicidade. Eu não precisava dizer mais nada, ele havia dito tudo. Então apenas sorri.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Então, o que te traz felicidade?


Será que precisamos realmente seguir arisca o que a sociedade impõe? Quer dizer, você nasce, cresce, amadurece, apaixona-se, casa-se e morre?
Cresci ouvindo (da sociedade inteira) que a fórmula para uma vida feliz e completa é ter um bom emprego, ter um corpo capaz de causar inveja (lê-se: magro, mas com curvas, sem nenhuma celulite, sem estrias e de preferência, com tudo durinho), ser vaidosa, ter um bom marido, ter em média dois filhos e um cachorro, e morrer rodeada por netos e bisnetos.
Nunca aceitei muito esse script. Então quer dizer que se eu não quiser ter filhos nem casar-me, tiver aversão a cachorros, ser gordinha e pouquíssimo vaidosa, serei menos feliz? Se eu quiser viajar pelo mundo, conhecer, explorar, realizar aqueles sonhos de quando se é criança e se acha que pode abraçar o mundo, estarei sendo insensível ou insana? Então quer dizer que a felicidade não é algo particular, é algo imposto, como se fosse uma receita. Faz-se felicidade acrescentando filhos a uma tigela com marido e mexendo-se bem, até isto engrossar, depois se coloca no forno por alguns anos, até que você possa colher o que plantou. E voillá, sua felicidade está pronta. Passe adiante.
Não. Acredito naquela felicidade que se encontra nas pequenas coisas. Não olhe-se no espelho com muita frequência. Não se preocupe em estar bonita sempre, preocupe-se em estar feliz consigo mesma. Cante no chuveiro, assista aquele filme que sempre te faz chorar, comendo uma bacia de pipoca com chocolate, sem importar-se com as calorias que aquilo possa ter. Mas não se esqueça da comédia, ela deixa tudo mais colorido. Fale pras pessoas diariamente o quanto elas são importantes para você e o quanto você as ama. Tenha tempo para a sua família, e não se esqueça dos amigos.
Deite sob as estrelas e as observe em silêncio. Absorva a energia que elas transmitem. Encontre alguém que entenda e aceite suas vontades e esteja disposto a realizar seus sonhos mais absurdos ao seu lado. Viaje. Preocupe-se menos com coisas materiais e mais com o bem estar.
            Mude frequentemente. Só assim você saberá realmente seu lugar no mundo. Faça o que gosta. Faça de seu trabalho, um hobbie. Ame a vida. Explore-se. Conheça-se. Só assim poderá conhecer os outros. Grite quando tiver vontade de gritar. Brinque. Saia sem rumo. Entregue-se às suas vontades.
Mas o mais importante: NUNCA deixe de ser você mesmo. Busque-se; mude, mas não perca sua essência. Cada pessoa é única, e tem qualidades que valem a pena serem mostradas. Então não esconda as suas. Não implore o afeto de ninguém, mas também não seja fria, nem impenetrável. Não tenha vergonha de se mostrar, nem de amar loucamente. Vergonha deve ter quem é desprovido do amor. E não se esqueça: A sua felicidade é você quem faz. 


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Antes a chuva, depois o arco-íris. Essa é a ordem



Você estava naquela festa, sentindo-se totalmente deslocada, com um copo de whisky na mão, tentando lembrar-se do que a havia feito ir àquele lugar desprezível. Claro, sua amiga – que agora estava dançando – fez questão de que você fosse, e você, como não sabe dizer não, acabou cedendo. Queria ir embora; levantou, mas, quando ia sair, uma mão quente pegou seu braço e te obrigou a sentar novamente.
Ele apresentou-se, depois puxou assunto. E o que tinha tudo para ser uma noite péssima, tornou-se agradável e até divertida. As horas passaram-se depressa, e quando você ia embora, ele pediu seu número do celular. Você passou.
Ele te ligou no dia seguinte, e no outro, e no outro. Cada vez mais interessado na sua vida, nos seus gostos, nas suas manias, na sua personalidade. Ele te fez rir quando você estava triste, e falou com você até conseguir dormir nos dias de insônia. Ele te ligou às duas da manhã para te contar sobre a noite super estranha que ele havia tido e a falta que você fazia.
Então um dia ele te convidou para sair, e seu coração acelerou. Como assim? Da onde havia saído aquela reação? Porque suas mãos tremiam? Porque você estava roendo as unhas? É, tarde demais. Você estava apaixonada. Não sabia como nem quando havia acontecido isso, mas não sentia vontade de parar. Entregou-se.
E então, quando você estava completamente dependente daquele sentimento, ele sumiu. As ligações não existiam mais; as conversas tornaram-se escassas; os encontros, raros. Você havia sido deixada sem aviso prévio.
Choros descontrolados, insônia, culpa, medo, solidão, nostalgia. Você não sentia mais vontade de fazer nada, queria apenas ele. Até lembrar-se das brigas se tornou algo agradável. Maquiagem pra que? Quem precisa estar bonita? Você saía e todos à sua volta pareciam ser ele. Mas não eram, aliás, ele não estava em lugar algum. Porque ele não voltaria.
E então, num dia quente de verão, alguns meses depois, você acordou e sentiu vontade de viver. Maquiou-se e até gostou do que o espelho refletia. Ligou para algumas amigas e saiu, conseguiu divertir-se. Depois, estudou. Valia tudo para não ter tempo de pensar nele. Era você aprendendo a lidar com o buraco que ele havia deixado.
Com o tempo, você não precisava mais inventar coisas pra fazer para ocupar sua mente, porque ele deixou de habitar seus pensamentos naturalmente, e agora, lembrar-se dele te fazia sorrir, e não chorar. Você passou a ter marcas aonde antes haviam feridas. Você começou a se apaixonar por você mesma, e a se preocupar com sua própria felicidade antes de qualquer coisa.
E num dia, desses que você acorda de bom humor, ele te ligou. Quis conversar. Quis te ver. E você percebeu que ele havia lhe proporcionado o amor mais intenso, e também a pior dor. Vocês não haviam colocado um ponto final, e talvez fosse por isso que você quis dizer que sim, ia se encontrar com ele. Mas não disse. Você ignorou seu coração – que queria manifestar-se – e negou. “Não, não vou encontrar-me com você, porque você não pensou duas vezes ao me deixar, e eu te amava. Você sabe o que é isso? Ah, claro que não sabe. Você não ama nem você mesmo. Esqueça, procure outra garota para iludir. Com meu coração você não brinca mais.” E desligou. 
Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece, e você nunca ia esquecê-lo. Ele ia permanecer com você pelo resto de sua vida, e não havia solução. Seria apenas você com você mesma, sempre. Independente de quem estaria ao seu lado futuramente. Porque agora você não depositava mais sua felicidade em outra pessoa. Você mesma era capaz de completar-se. Às vezes vale a pena enfrentar uma tempestade, se depois vier o arco-íris.

domingo, 4 de setembro de 2011

O encaixe perfeito



        - Você é ridículo! – falei entre dentes
       - E você é fresca. Viu? Somos perfeitos um para o outro! – ele respondeu com ar de deboche
      - Não tenho tanta certeza. Não costumo me relacionar com pessoas insuportáveis como você.
      Ouvindo isso, ele fitou-me com seus olhos verde-esmeralda e sorriu. Sorriu como se fosse a última vez. Não disse nada, apenas beijou meus olhos, depois minha boca, indo em direção ao meu pescoço, mas parando no meio:
      - Eu te amo, sua idiota, e não sei o que seria de mim sem você! – ele sussurrou em meu ouvido.
      Foi minha vez de sorrir. Sim, eu também o amava. Porque mesmo com nossas imensas diferenças, nossos sentimentos pela metade e nossas inseguranças, nós nos completávamos. Porque era ele que eu esperava ter em meu lado pelo resto de minha vida. Porque sem ele, eu não seria nada.
      Abracei-o com mais força, e desejei nunca mais soltá-lo. E enquanto ele deitava em meu lado, eu me acomodei em seu peito, fechei meus olhos, inspirei seu perfume cítrico e em seus braços, adormeci.

domingo, 21 de agosto de 2011

Metamorfose


Complicada, mas nem tanto. Generosa, mas não boazinha. Criança, mas adulta. Extrovertida, mas séria. Apaixonada, mas não dependente. Míope, mas não cega. Compreensiva, mas não tola. Espontânea, mas não idiota. Independente, mas não sozinha. Sensível, mas muito forte. Ela era muitas em uma só, uma contradição de sentimentos, uma fusão de personalidades. Mas não entendam mal, ela era verdadeira. E sabia a hora certa de mostrar cada mulher que existia dentro dela. Ela não era vingativa, mas tampouco aceitava ser enganada. Ela nunca aceitou a perda de uma amizade, ou de um amor. Sempre lutou até o fim, mas é claro, nunca venceu.  E assim ela descobria que pessoas são como fumaça: impossíveis de prender. Era muito mais fácil ser e deixar as pessoas livres. Que voltem, se quiserem! Mas em uma coisa todas essas mulheres concordavam: Elas gostavam do silêncio. Porque ele podia dizer muito mais que palavras. Porque o silêncio podia expressar tudo que ela sentia. Porque o silêncio era capaz de conquistar, mas também de partir corações. E quando todos esperavam que ela falasse, gritasse ou chorasse, ela surpreendeu, mostrando que era forte. Ficando em silêncio ela provou para todos que era capaz de seguir em frente. E naquele momento, outra mulher passou a habitar em seu corpo e agora frágil coração. A mulher que tinha amor próprio, a mulher que sabia seu valor. A mulher que erguia a cabeça e se proibia de chorar. A mulher que acreditava em si mesma. Agora ela era capaz de se sentir confortável em meio à sua própria confusão. Ela não queria mais mudar as pessoas, era capaz de aceitá-las como eram. Ela não queria mais abraçar o mundo. Não desejava mais um amor de tirar o fôlego. Queria deixar suas vontades lhe guiarem. Não pensava mais mil vezes antes de fazer algo, ela simplesmente fazia. Se fosse para o amor acontecer, ele aconteceria. Mas ela não iria mais buscá-lo, sabia que seria inútil, pois o amor nunca acontece quando desejamos.